terça-feira, 29 de abril de 2014

A SURPREENDENTE HISTÓRIA DE PHILOMENA LEE NA TELA DO CINECLUBE ARAUCÁRIA

    Philomena abre o baú do passado sombrio da igreja católica na Irlanda


O Cineclube Araucária exibe neste mês de maio, na Sala de Saraus da AMECampos, a emocionante adaptação para o cinema de uma história real vivida na Irlanda durante mais de 50 anos pela hoje septuagenária enfermeira aposentada Philomena Lee.


Baseado numa impressionante história real, ocorrida na Irlanda dos anos 1950, Philomena, filme do inglês Stephen Frears, acompanha o calvário de Philomena Lee (Judi Dench, indicada ao Oscar de melhor atriz), uma enfermeira aposentada que procura pelo filho, Anthony. O menino lhe foi arrancado, ainda pequeno, quando ela vivia internada num convento - destino das moças que, como ela, engravidavam fora do casamento e eram abandonadas pelas famílias. Seus filhos eram encaminhados para adoção, em troca de polpudas doações para o convento e elas trabalhavam por anos em regime servil, até pagarem sua "dívida" com as freiras que as acolhiam e também exploravam. 

Philomena é ajudada em sua busca pelo jornalista Martin Sixmith (o comediante Steve Coogan, coprodutor e corroteirista do filme), que a princípio, a contragosto entra na parada. Cínico, ateu e ex-poderoso jornalista político, ele está num momento frágil na vida profissional. Não tem, portanto, nenhuma afinidade evidente com Philomena, que ele conhece já em seus 70 anos, 50 anos depois do sumiço do filho. Uma mulher simples, mas nada simplória, que apesar de tudo que sofreu não perdeu a fé católica.

Por interesse jornalístico, com intenção de vender a impressionante história de Philomena para uma revista, Martin acaba mergulhado numa jornada de detetive, que inclui uma viagem aos Estados Unidos em busca das pistas do pequeno Anthony – rebatizado Michael por sua família adotiva. O filme teve quatro indicações para o Oscar 2014: Melhor Atriz (Judi Mench), Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Adaptado. Mas, a consagração, de fato, foi dada pelo público que lotou as salas de cinema em quase todo o mundo, superando em três vezes o orçamento do filme apenas com a bilheteria da semana de lançamento nos Estados Unidos.
Philomena traz novamente à tona os crimes cometidos em conventos católicos irlandeses. O trabalho literalmente escravo dessas moças, pobres abandonadas pelas famílias por moralismo, já havia sido abordado anteriormente em 2002, no filme Em nome de Deus, de Peter Mullan.
Que a Igreja Católica vive outros tempos fica evidente também pela recente audiência, concedida pelo Papa Francisco, à verdadeira Philomena Lee, ao lado de Steve Coogan, em fevereiro deste ano. Philomena continua lutando para que outras mulheres tenham acesso aos registros de adoção de seus filhos na Irlanda e possam reencontrá-los.

A verdadeira Philomena Lee ao lado da atriz Judi Dench


assista o trailer oficial do filme Philomena, de Stephen Frears com Judi Dench e Steve Coogan


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