segunda-feira, 30 de junho de 2014

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO EM IMAGENS



Uma exposição de cartazes, fotos, livros, revistas, imagens que fazem parte do acervo do Cineclube Araucária, conta a história da cinematografia brasileira, desde as primeiras realizações dos pioneiros no áudio visual no país, até as mais recentes produções que revolucionaram a linguagem do cinema brasileiro nos primeiros anos do terceiro milênio. A mostra que tem curadoria de Cervantes Sobrinho estará aberta à visitação pública na sede da AmeCampos de 2 a 31 de julho, de segunda a sexta de 10 às 18 horas. A AmeCampos fica na Rua Dr. Reid nº 68 Abernéssia.

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO
Caso alguém pergunte, num futuro distante, qual terá sido o meio de expressão de maior impacto na era moderna, a resposta será unânime: o cinematógrafo. Inventado em 1895 pelos irmãos Lumière para fins científicos, o cinema revelou-se peça fundamental do imaginário coletivo do século XX, seja como fonte de entretenimento, seja como meio de divulgação cultural de todos os povos do globo.
Pouco tempo após a sua invenção, o cinematógrafo aportou no Brasil pelas mãos de Affonso Segretto, imigrante italiano que filmou cenas do porto do Rio de Janeiro. Desta forma, em 1898, Segretto se tornou o nosso primeiro cineasta. A partir daí, um imenso mercado de laser e cultura foi montado na capital federal no início do século XX, quando centenas de pequenos filmes foram produzidos e exibidos para plateias urbanas em franco desenvolvimento.
Até o final dos anos 1920, algumas experiências arrojadas documentam a existência de uma cinematografia brasileira, especialmente pela iniciativa de pioneiros como Adalberto Kemeny e Rudolf Lustig que criaram a Rex Lustig, primeiro laboratório importante para a produção de filmes comerciais no Brasil. Dele saiu o clássico “São Paulo, a Symphonia da Metrópole”, baseado no filme “Berlim, Sinfonia de uma Metrópole”, realizado pelo alemão Walter Ruttmann em 1927.
Nos anos 30 iniciou-se a era do cinema falado. Já então, o ainda embrionário cinema nacional concorre com o forte esquema de distribuição norte-americano, disputa que se estende até os nossos dias. Desse período destacam-se Adhemar Gonzaga, Mário Peixoto, Alberto Cavalcante e o mineiro de Cataguazes, Humberto Mauro, autor de “Ganga Bruta” (1933), filme que marca a transição no Brasil, do cinema mudo para o cinema falado e que mostra uma crescente sofisticação da linguagem cinematográfica.
Com equipamentos e técnicas revolucionárias trazidas principalmente dos Estados Unidos, a Cinédia, empresa criada por Adhemar Gonzaga no início da década de 30 e que sobrevive até hoje, mais de 80 anos depois, graças ao emprenho e dedicação de Alice Gonzaga, filha do seu idealizador, introduziu na cena cinematográfica brasileira as comédias musicais com populares cantores do rádio e atores do teatro de revista. Filmes como “Alô, Alô Brasil” (1935) e Alô, Alô Carnaval” (1936) caíram no gosto popular revelando verdadeiros mitos do cinema brasileiro como Carmen Miranda, Dircinha Batista e as Irmãs Pagãs.

A criação dos estúdios Vera Cruz por Franco Zampari e Francisco Matarazzo Sobrinho, no final da década de 40, representou a materialização do desejo de diretores que, influenciados pelo requinte das produções estrangeiras, sobretudo europeias, buscavam fórmulas mais sofisticadas para as produções nacionais. Da Vera Cruz saíram verdadeiras obras primas da história do cinema brasileiro: “Caiçara” (1950) e “Tico-Tico no Fubá” (1952), de Adolfo Celi; “Angela” (1951), de Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne; “Apassionata” (1952), de Fernando do Barros; “Sinha Moça” (1953), de Tom Payne; “Floradas na Serra” (1953), de Luciano Salce e “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto que trouxe do Festival de Cannes naquele ano, o prêmio de Melhor Filme de Aventura.
A reação ao cinema da Vera Cruz representou o movimento que divulgou o cinema nacional conhecido em todo o mundo como o Cinema Novo. No início da década de 60, a exemplo do que aconteceu com a Nouvelle Vague na França, um grupo de jovens cineastas começou a realizar uma série de filmes imbuídos de forte temática psicossocial. Entre eles destacou-se Glauber Rocha, cineasta baiano que entrou para a história como verdadeiro símbolo do Cinema Novo. Diretor de filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1968), Rocha se tornou uma figura lendária no meio cultural brasileiro, redigindo manifestos e artigos na imprensa, rejeitando o cinema popular das chanchadas e defendendo uma arte que promovesse a transformação social e política tão pretendida em tempos de regime militar. Inspirados em Nelson Pereira dos Santos que em 1955, sob influência do movimento neorrealista, dirigira “Rio 40 Graus” e o clássico “Vidas Secas” em 1964, diretores como Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Ruy Guerra participaram dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, ganhando notoriedade e reconhecimento.
As décadas seguintes revelaram-se a época de ouro do cinema brasileiro. Mesmo após o golpe militar de 1964, os idealizadores do Cinema Novo e uma nova geração de cineastas conhecida como “udigrudi” (termo irônico derivado do “underground” norte-americano) continuaram a produzir obras críticas em relação à realidade que vivia o país, muitas vezes usando metáforas para burlar a censura dos governos militares. Dessa época, destacam-se o próprio Glauber Rocha com “Terra em Transe” (1968), Rogério Sganzerla com “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) e Júlio Bressane com “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1969).
A fim de organizar o mercado cinematográfico e conquistar a simpatia de intelectuais para o regime, em 1974, o governo Geisel criou a Embrafilme que teria papel importante no cinema brasileiro até a sua extinção em 1990. Desse período datam alguns dos maiores sucessos de público e crítica da produção nacional, como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto e “Pixote, A Lei do Mais Fraco” (1980), de Hector Babenco. O fim da ditadura militar e da censura, em 1985, aumentou a liberdade de expressão e indicou novos caminhos para o cinema brasileiro. No entanto, essa perspectiva foi interrompida com o fim da Embrafilme em 1990. O governo Collor e sua política neoliberal de extinção das estatais abriu o mercado de forma descontrolada para as produções estrangeiras, norte-americanas em sua quase totalidade. Com isso, a produção nacional entrou em colapso. Nos anos seguintes, pouquíssimos longas metragens nacionais foram realizados e exibidos.

Após o cataclismo do início dos anos 90, o sistema se reergueu gradativamente com a criação de novos mecanismos de financiamento por meio da chamada renúncia fiscal (leis de incentivo), juntamente com o surgimento de novas instâncias governamentais de apoio ao cinema. Trata-se da fase de retomada do cinema brasileiro. Em muito pouco tempo, três filmes são indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto; “O Que é Isso, Companheiro” (1997), de Bruno Barreto e “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles, também vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Nomes como Walter Salles e Carla Camurati, diretora de “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” (1995) tornaram-se conhecidos do grande público, atraindo milhões de espectadores para as salas de exibição.
Mais de cem anos após os Irmãos Lumière, o cinema brasileiro reinventa seu papel na história da maior arte do século XX, para levar ao mundo no início deste terceiro milênio a sua contribuição em grande estilo com produções que concorrem em pé de igualdade com as de outros países tão criativos quanto o nosso. Não são poucos os grandes filmes Made in Brasil nestes primeiros tempos do século XXI: “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund; “Estomago” (2007), de Marcos Jorge; “Dzi Croquettes” (2009), de Tatiana Issa e Raphael Alvarez; “Lixo Extraordinário” (2010), de João Jardim, Lucy Walker e Karen Harley; “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha” (2010), de Helena Ignez e Ícaro Martins; “Heleno” (2011), de José Henrique Fonseca; “Corações Sujos” (2011), de Vicente Amorim; “Xingu” (2012), de Cao Hamburger; “Entre Nós” (2013) de Paulo Morelli e Pedro Morelli; “Olho Nu” (2013), de Joel Pizzini; “Tatuagem” (2013), de Hilton Lacerda... 
     

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