quarta-feira, 11 de maio de 2016

ARGENTINOS E GRANDES MESTRES DA PINTURA EM OUTRAS TELAS




A programação do mês de maio do projeto Cineclube Araucária – O Cinema de Volta a Campos do Jordão traz duas mostras de grande relevância para a sétima arte. Os ingressos são grátis em todas as sessões.


A primeira, Panorama do Cinema Argentino, que acontece entre os dias 12 e 15 de maio, é uma pequena amostra da qualidade das produções argentinas que vêm conquistando as salas de exibição do mundo todo. As obras selecionadas para esta mostra são: Nove Rainhas (de Fabián Bielinski), Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital (de Gustavo Taretto), Relatos Selvagens (de Damián Szifron) e Valentin (de Alejandro Agresti).

Entre 19 e 22 de maio serão exibidos filmes que reverenciam e registram as histórias de quatro gênios das artes plásticas. A mostra No Cinema Por Outras Telas é formada pelos seguintes filmes: Frida (de Julie Taymor), que narra a intensa e conturbada vida da artista mexicana Frida Kahlo, Agonia e Êxtase (de Carol Reed), sobre Michelangelo e seu trabalho na Capela Sistina, Sede de Viver (de Vincente Minelli), que traz Vincent Van Gogh  com todo o seu talento e seu tormento, e Pollock (de Ed Harris), sobre a arte original de Jackson Pollock.



O Cineclube Araucária investe em criatividade e diversão nas matinês. Em maio, os filmes para a garotada seguem as temáticas das mostras acima. No dia 15, será exibida a animação argentina A Tartaruga Manuelita, de Manuel Garcia Ferré, e no dia 22, Uma Noite No Museu, de Shawn Levy.

O projeto Cineclube Araucária - O Cinema de Volta a Campos do Jordão acontece com o apoio do ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo) e parcerias com a Secretaria Municipal de Cultura e AMECampos (Associação dos Amigos de Campos do Jordão). Iniciado em fevereiro, prevê, até novembro, a realização de 20 mostras de cinema. Além das tradicionais mostras temáticas, a cada mês um país terá a sua filmografia exibida para o público jordanense, entre eles: Turquia, Brasil, Argentina, França, Canadá, China, continente africano e os já contemplados: Polônia, Irã e Índia.

A programação de 2016 inclui também uma série de Palestras e Seminários, visando à formação profissional de novos cineastas, com produção de curtas-metragens que serão o foco da segunda edição do Festival Curta Campos do Jordão, previsto para ocorrer em dezembro no antigo Cine Glória (atual Espaço Cultural Dr. Além). Outros destaques são a realização do 6º Encontro Cinemúsica de Campos do Jordão e da exposição Cinema Ilustrado: A Oitava Arte, ambos em julho, na sede da AMECampos.


Com um histórico de boas tramas políticas e sensíveis retratos de família, o cinema argentino conquistou o respeito do público e da crítica, muito além das suas fronteiras. Em 2010, sua cinematografia recebeu o segundo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, entregue ao longa O Segredo de Seus Olhos. O primeiro foi A História Oficial, de Luis Puenzo, em 1986, além das indicações na mesma categoria, em 1975, 1985, 1999, 2002 e, por muito pouco, em 2015, los hermanos não ganharam a terceira estatueta com Relatos Selvagens, de Damián Szifrón. Segundo o curador, a pergunta comum aos brasileiros é “por que os argentinos conseguiram se colocar no grupo dos principais países produtores da sétima arte em todo o mundo? e a resposta está ligada aos roteiros bem desenvolvidos, bem escritos, e na maneira de transportá-los para a tela com um requinte peculiar aos que sabem contar bem uma história”. Ele complementa explicando que a formação acadêmica e profissional dos argentinos, a leitura e, mais profundamente, os estudos literários na Argentina receberam uma maior atenção do que a dispensada às mesmas atividades pelos vizinhos brasileiros, por exemplo. E valendo-se da máxima “uma imagem fala mais do que mil palavras”, o Cineclube Araucária incluiu na série Panorama do Cinema Mundial, uma pequena mostra do que o cinema argentino tem a nos encantar com uma seleção de quatro filmes representativos dos últimos anos.


A Mostra No Cinema Por Outras Telas traz filmes que mostram o diálogo entre duas artes visuais - cinema e pintura – que sempre caminharam lado a lado por uma questão de conceito, desde os primeiros registros da imagem em movimento. Pode-se dizer que a estética imposta pelos cineastas às imagens que lançam nas telas, na sua essência, não difere do talento criativo que orienta a mão dos pintores geniais no momento em que concebem suas maiores criações. Em ambos os casos, a imagem materializa o tempo; e pode ser que esse fascínio exercido pela pintura sobre alguns cineastas tenha resultado na arte de materializar na película a força criativa de alguns dos maiores artistas de outras telas. Neste caso, também a seleção do curador Cervantes Souto Sobrinho foi bastante custosa. “Não são raros os casos de bons filmes que contam a vida e a arte de pintores consagrados. De Leonardo a Basquiat, o repertório é extenso e qualitativamente primoroso. Alguns foram os eleitos não pelo patamar de destacados em relação a outros, mas apenas porque a escolha havia de contemplar apenas quatro deles”, argumenta. Os artistas/filmes eleitos foram, portanto: Michelangelo, Vincent Van Gogh, Frida Kallo e Jackson Pollock.

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