sábado, 30 de junho de 2012

2º Encontro Cinemúsica de Campos do Jordão


Antes das salas de cinema serem inauguradas, a projeção de imagens estava ligada às feiras de variedades mambembes. Os pequenos filmes eram tidos como curiosidade e apresentados lado a lado com a mulher barbada e os espelhos deformadores. O embrião do cinema começava a se desenvolver e a música já estava presente. Uma pianola ou algum instrumento musical portátil sempre acompanhava as atrações circenses - e as projeções de imagem não eram exceção. A música no cinema mudo não pode ser entendida como trilha, mas apenas como um “acompanhamento musical” de filmes, isso porque, hoje, o conceito de trilha sonora está relacionado à ideia do som sincronizado, estabelecendo relações precisas entre o som e a imagem. Nas primeiras exibições, uma orquestra – ou um piano, dependendo da sala de cinema – acompanhava ao vivo as imagens projetadas na tela. O mais curioso é que não haviam partituras pré-estabelecidas para acompanhar o filme, tendo os músicos que improvisar, muitas vezes sem qualquer contato prévio com a película. O resultado chegava a ser caricatural. Viam-se velórios ao som de polca, cenas românticas com agitados ragtimes de acompanhamento ou uma cena de ação com o silêncio de fundo. A música, na maioria das vezes, era divorciada da ação. Atualmente existem pelo menos quatro versões de fundo musical dependendo da edição assistida, mas à época não havia uma trilha específica e, depois de algum tempo “as imagens e a música se interligaram”.

É impossível falar de cinema e não falar das músicas que marcaram época, músicas eternas que se imortalizaram através das telas dos cinemas. A música é o tempero do filme, quase imperceptível e, às vezes nem notamos, mas lá está ela mexendo com o nosso inconsciente.
Através da paixão pela música e pelo cinema, o Cineclube araucária apresenta a segunda edição do Encontro Cinemúsica de Campos do Jordão, de 01 a 10 de julho no Espaço Cultural Dr. Além (antigo Cine Glória), avenida Januário Miráglia, 1582 - Abernéssia. Toda a programação é gratuita. 

Programa-se e participe! Veja a programação clicando aqui.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ícones do Cinema no Cineclube Araucária - James Dean

James Dean, um mito de Hollywood que burla a velhice

Astro de Juventude Transviada estaria hoje com 81 anos

Lenda do cinema, símbolo sexual e ícone de uma geração rock and roll, o rebelde James Dean ganhou um lugar no éden após sua morte, onde sua lembrança burla a velhice, se estivesse vivo em 2012, estaria com 81 anos.
Três filmes, quatro anos de carreira e um final dramático bastaram para que o promissor Jimmy, como era chamado pelos amigos, passasse de um menino de fazenda a um mito. Nunca ninguém conseguiu tanto em tão pouco.

A indústria de Hollywood ficou encantada com o ator após a estreia de Vidas Amargas (1955), primeiro longa no qual Dean aparecia como protagonista após trabalhar como coadjuvante em seis produções anteriores.

O filme dirigido por Elia Kazan soube reconhecer o potencial de um intérprete que lutava para sobreviver em uma profissão na qual o ator estreou fazendo anúncios de refresco e na qual, segundo as más línguas, chegou a realizar favores sexuais para abrir caminhos.

Talento não faltava a Dean, que nasceu no dia 8 de fevereiro de 1931 em Marion, uma zona rural de Indiana, Estado natal também de Michael Jackson, onde chegou a ser premiado em sua adolescência por seu desempenho esportivo e artístico.

Apenas seis anos antes de seu trágico acidente ao volante de seu Porsche em uma estrada californiana, Dean terminava seus estudos de bacharelado quando se mudou para cursar Direito e Arte Dramática em Los Angeles até 1952, ano que partiu para Nova York e se aventurou na Broadway pensando que ali encontraria a fama.
Após dois anos perambulando pelos teatros conseguiu papéis em duas peças: See The Jaguar e The Immoralist. Uma oportunidade que soube aproveitar e lhe valeu o prêmio Daniel Blum de Ator Revelação de 1954, ao tempo que captou a atenção de Kazan.
Da noite para o dia, James Dean seduziu uma Hollywood sedenta por artistas carismáticos para alimentar seu poderoso "star-system". Seu nome e sua imagem de menino mau começou a encher páginas de revistas como emblema de um espírito marcado pelo nascimento do rock e da teoria de viver depressa e morrer jovem, algo que Dean seguiu ao pé da letra. As filmagens de Vidas Amargas foram seguidas, quase imediatamente, por Juventude Transviada e Assim Caminha a Humanidade, filme que concluiu sua gravação um dia antes da morte do jovem ator de 24 anos. Por motivos contratuais com a Warner Brothers, Dean estava proibido de participar de competições esportivas, especialmente corridas de carros, enquanto trabalhava em um papel, por isso teve de esperar até o final de seu último filme para subir no seu carro rumo a um evento automobilístico.
Aquela viagem chegaria a seu fim antes do tempo, como quase tudo na vida de Dean, quando seu veículo colidiu frontalmente com outro em um cruzamento das estradas 46 e 41, no interior da Califórnia, um lugar fatídico que agora é um local de peregrinação para seus admiradores.

O destino quis que o jovem não pudesse saborear seu sucesso já que só viveu para assistir a estreia de Vidas Amargas, produção pela qual obteria uma indicação póstuma ao Oscar de Melhor Ator, em 1956; indicação que repetiria em 1957 por Assim Caminha a Humanidade.

Entre seus amores destacaram Pier Angeli e Ursula Andress, embora tenham lhe atribuído diversos romances e, inclusive, chegaram a especular sua homossexualidade em vários dos livros biográficos.
                  
                                  

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ícones do Cinema no Cineclube Araucária - Marilyn Monroe


Ao se referir ao mito imposto no cinema pela figura de Greta Garbo, Paulo Emílio Salles Gomes disse que “(…) podemos admitir que no teatro o ator passa e a personagem permanece, ao passo que no cinema sucede exatamente o inverso. Nas sucessivas encarnações através de inúmeros atores, permanece a personagem de Hamlet, enquanto no cinema quem permanece através das diversas personagens que interpreta é Greta Garbo. (…) O que persiste não é propriamente o ator ou a atriz, mas essa personagem de ficção cujas raízes sociológicas são muito mais poderosas do que a pura emanação dramática.” O mesmo pode ser colocado com relação ao que se estabeleceu com Marilyn Monroe, de forma ainda mais complexa que com relação à Garbo, já que Marilyn, além de ser a atriz que interpretava as personagens, era também a personagem principal que Norma Jean Baker interpretou por 16 anos, dos primeiros pequenos trabalhos até o fim turbulento, em 5 de agosto de 1962, quando já era considerada a maior das estrelas do cinema.

Marilyn Monroe se referia a ela mesma, no final de sua vida, em terceira pessoa, numa espécie de consciência de sua própria condição de mito e que sabia que não era capaz de sustentar a própria presença. Fazia tempo que a estrela era viciada em calmantes, combustível necessário que a auxiliavam a manter a força na subida rumo ao topo. E Monroe atingiu o topo, que era justamente o que sempre sonhou. Ela queria ser a mulher mais conhecida, mais desejada do mundo, e sua figura platinada e curvas voluptuosas lhe deram o status almejado ainda mais rápido que imaginava. Em 1950, Monroe fez pequenas participações em dois filmes importantes, O Segredo das Jóias, de John Huston, e A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz, este no papel de uma jovem admiradora de Margo Channing, interpretada magistralmente por Bette Davis, que mesmo ela não ofuscou a aparição de Monroe. Notada por vários, a atriz começou a erguer sua carreira para logo passar para os papéis principais e ser elevada à condição de diva. Monroe trabalhou com os melhores diretores, de Otto Preminger (O Rio das Almas Perdidas) a Jean Negulesco (Como Agarrar Um Milionário), dando cada vez mais importância à sua figura de símbolo sexual. Com alguns deles ela estabeleceu uma parceria mais constante, como com Howard Hawks, com quem fez O Inventor da Mocidade e Os Homens Preferem as Loiras, que tem uma das cenas mais icônicas que Marilyn Monroe fez, usando um vestido rosa, cercada de homens que estão dispostos a dar tudo para ela, inclusive os diamantes mais caros do mundo. Mas foi em O Pecado Mora Ao Lado, primeiro de seus filmes com Billy Wilder, que Marilyn fez sua cena símbolo: passando pela calçada junto do homem que a deseja mais que tudo e tenta resistir à tentação, a personagem de Monroe é surpreendida pelo vento da calefação do metrô, que levanta seu vestido branco revelando suas pernas – e outras partes – sem que ela consiga controlar. Não somente é a principal memória que se tem de Marilyn, como é um dos momentos mais celebrados na história do próprio cinema.

Marilyn Monroe iria retornar a trabalhar com Billy Wilder em Quanto Mais Quente Melhor, mas como acontecia com quase todos com quem trabalhava, Marilyn tirava Wilder do sério, irritando o diretor com atrasos, falta de concentração e dificuldade em decorar as falas. Mas Wilder sabia que Marilyn era a figura necessária para dar vida à doce e sexual Sugar Kane, e soube manipular a atriz a fim de extrair dela o resultado esperado. Com isso, Quanto Mais Quente Melhor passou a ser considerada a comédia mais engraçada de todos os tempos e Marilyn Monroe levou o prêmio de melhor atriz de comédia, no Globo de Ouro de 1960, sendo preterida sob protestos a uma indicação ao Oscar. Marilyn queria ser a maior das estrelas, mas passou a trabalhar para ser uma boa atriz também. Fez aulas com Lee Strasberg, no famoso Actors Studio em Nova York e teve Paula Strasberg como mentora nos últimos trabalhos que fez, sendo incapaz de dar um passo sequer sem a autorização de Paula (que era odiada nos sets de filmagem). Desse modo e com as confusões emocionais derivadas de seus divórcios, um de Joe DiMaggio (o maior dos jogadores de baseball), outro de Arthur Miller (o maior dos dramaturgos americanos), Marilyn tinha sua vida controlada por Paula Strasberg, nos filmes, por sua agente e por seus médicos. A atriz já havia se afastado do cinema por 1 ano, devido a seu estado emocional, depois de fazer Os Desajustados, segundo filme com John Huston e último inteiramente concluído, quando foi incentivada a estrelar Something’s Got To Give, de George Cukor, que ficou inacabado depois de Monroe ter sido demitida devido aos sucessivos atrasos e desculpas de doença para não aparecer para filmar.
 
O caos emocional tomou conta de Marilyn que, mesmo tentando retomar as gravações do filme de Cukor e deixar de lado a imagem que circulava na mídia de que era uma tola, não conseguia se manter estável por muito tempo e acabou tendo uma overdose de calmantes, poucos dias depois da decisão do estúdio de continuar com a produção do filme. O legado de Marilyn Monroe residiu em sua imagem intocada de maior símbolo sexual do cinema em todos os tempos, não manchada pelas confusões de sua vida pessoal.

"Há uma certa semelhança entre Marilyn e a II Guerra Mundial: ambas foram infernais, mas valeram a pena”. Billy Wilder

Thiago Macêdo Correia