quinta-feira, 22 de maio de 2014

ADAPTAÇÃO DO LIVRO DE MARKUS ZUSAK, A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, É O NOVO DESTAQUE DO CINECLUBE

A Menina que Roubava Livros, de Brian Percival, baseado no livro homônimo de Markus Zusak, conta a história da jovem Liesel Meminger, uma garota que vive com os pais adotivos na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Apaixonada por livros, ela acaba desenvolvendo o hábito de roubar obras que são lidas para o amigo Max, um judeu que mora clandestinamente em sua casa.










O livro de Markus Zusak, em que se baseia o filme, é muito, muito bom. É um daqueles que dá vontade de reler. Seu grande trunfo é ser narrado pela morte, o que confere à trama um ponto de vista único ou, pelo menos, incomum. Além da narração, também é interessante no livro o contraponto entre o encantamento de Liesel pela leitura e suas experiências com a morte. Como no livro, também no filme é a morte quem conta a história, com voz firme, masculina. Com as mesmas palavras instigantes, ela nos toma pela mão e nos imerge na vida de Liesel, a garota que lhe chamou atenção quando foi buscar seu irmão durante uma viagem de trem que os levaria ao novo lar. A Morte fica fascinada pela figura dessa garotinha que não sabe ler, mas que é perseguida pelas palavras quer queira quer não. Intrigada com o costume da menina de roubar livros, a ceifadora de almas acaba por seguir cada um dos seus passos.
Sophie Nélisse, a atriz que dá vida à personagem, nos apresenta uma Liesel muito sensível e doce, o que permite ao espectador compreender o envolvimento com o seu primeiro e melhor amigo – protótipo de primeiro amor -, Rudy Steiner, “o garoto dos cabelos cor de limão”. Outra figura de destaque é o pai Hans Hubermann, interpretado por Geoffrey Rush. O ator consegue passar com clareza toda aquela aura amorosa do personagem original. Sua relação com a mãe Rosa (Emily Watson) é tão adorável e cômica como esperam aqueles que os conheceram nas páginas escritas por Zusak.


Entretanto, algumas mudanças interessantes podem ser notadas no filme. Uma delas é a substituição de um dos livros roubados por Liesel: o Dar de Ombros pelo romance O Homem Invisível, de H. G. Wells. Esta troca serve aos propósitos de apresentação e metáfora para o personagem Max Vandenburg, um judeu que Hans Hubermann acolhe e esconde em seu porão. O filme também oculta o “livro” escrito por Max nas páginas pintadas do Mein Kampf (Minha Luta, livro autobiográfico de Adolf Hitler) e o substitui por um livro com páginas em branco para que a garota possa escrever ela mesma a sua história.
Possivelmente devido a uma tentativa de ampliação do público, o diretor preferiu empalidecer as cenas chocantes e violentas. Por exemplo, tanto a “Noite dos Cristais” quanto a marcha dos judeus pela rua Himmel foram expostas de forma bem mais suave do que no livro. A tensão, entretanto, se faz presente através da bela trilha sonora composta por John Williams (Harry Potter, Jurassic Park, Indiana Jones), chegando a se tornar quase palpável na cena em que acontece um bombardeio e os habitantes da rua se reúnem no porão de uma das casas. O som das explosões, cada vez mais próximas, estremece as paredes dos prédios, de tal modo que o sentimento do público na sala é o desejo de que tudo aquilo passe rapidamente. 

Se você é fã do livro, é possível que aprecie também o filme por já se identificar com os personagens. Mas também é bem provável que se incomode com o quão certinha é a produção. De todo modo, A Menina que Roubava Livros, de Brian Percival veio para derramar lágrimas de avisados e desavisados. É, sem dúvida, um bom programa que o Cineclube Araucária compartilha com os seus amigos cinéfilos-leitores. A apresentação acontece em caráter experimental no novo espaço cinema da AMECampos no dia 31 de maio – sábado – às 20h00. Clique no quadro abaixo para assistir o trailer oficial do filme.